PROFESSOR ARTUR PINHEIRO

Wednesday, May 20, 2009

CEARÁ: DO POVOAMENTO ÀS ENCHENTES DE 2009

Ao tempo em que a sociedade cearense se mobiliza para conseguir doações de alimentos, roupas e água potável para os desabrigados e desalojados das enchentes que assolam nosso estado, necessário se faz que a massa pensante de nossas universidades, sobretudo geógrafos e pesquisadores de áreas afins, se manifestem sobre a problemática, trazendo esclarecimentos, denúncias e questionamentos sobre a origem, as causas, naturais e humanas da grande tragédia.
Enquanto isso e no sentido de dar uma pequena contribuição ao debate, recorremos à história para compreender, pelos menos em parte, o que está acontecendo. Sobre o grande volume de chuvas, acima das médias anuais, deixo para os metereologistas, os físicos das nuvens, os geógrafos e outros mais que se dedicam ao estudo. Falaremos sobre o movimento humano ao longo da história do Ceará.
O povoamento do Ceará ocorreu, efetivamente, a partir da segunda metade do séc. XVII. Os holandeses foram expulsos do Nordeste, aí então os portugueses, que também haviam se libertado do domínio espanhol (1640), iniciaram o processo de colonização. Este período da história é narrado pelo historiador Capistrano de Abreu em seu livro Caminhos Antigos e Povoamento. Portanto o título do livro já sugere a forma de povoamento adotada pelos colonizadores: na beira dos caminhos e estes caminhos eram se, não os nosso rios, que maravilhosamente são cheios na estação chuvosa, nosso inverno e secos no nosso verão. O rio era a própria estrada, quanto maior, mais largo, mais abundante de cacimbas para a bebida do gados dos animais dos vaqueiros e dos próprios vaqueiros, quando a água era doce.
O povoamento se eu portando colado ao ciclo do gado , que requeria grandes pastagens e caminhos para a sua locomoção. Os colonizadores portanto tiveram nos rios a comodidade de não precisar fazer estradas paro o escoamento de sua produção.
Foram ao redor destas fazendas de gado, que surgiram os povoados e depois as cidades. Por isso é comum, cada cidade ter o seu rio, bem de lado.
No entanto a população foi crescendo, o problema habitacional historicamente nunca foi levado a sério pelos governantes em nenhuma das esferas do poder, e as margens dos rios foram sendo ocupadas gradativamente. Os rios não são compostos só pelos seus leitos, eles tem as áreas de vazão, as suas adjacências que a natureza, sabiamente preparou para os períodos de grandes enchentes. Está previsto pela natureza, que o nível das águas dos rios podem subir e eles transbordarem ao seu leito normal, utilizando-se das suas margens. Este já éum tema para os geógrafos, fico por aqui.
Mas a falta de planejamento, de orientação, de fiscalização, de conhecimento, de respeito à natureza e à legislação existente, somados à falta de espaço para morar, etc. Levaram o homem e suas habitações e suas cidades, para dentro dos rios. A minha mãe tem 91 anos, passou parte se sua infância em Boa Viagem, há alguns anos atrás ela foi àquela cidade que não ia desde jovem. A primeira coisa que ela perguntou foi: “cadê o rio? Isso aqui era tudo rio” onde ela disse que era um rio é uma praça com comércio, escolas e residências. A urbanização do rio Acaraú qu Ea mídia mostra em Sobral, é dentro do rio. Invadiram o leito dos rios, aterram suas margens, o mesmo fizeram e continuam fazendo com riachos, lagoas, lagos, pântanos, etc. de nossas cidade. A natureza, na hora certa, dará a sua resposta, aí vamos novamente “chorar o leite derramado.”

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